A Casa Maria corre risco de perder o espaço onde dormem e comem os pacientes em tratamento contra o câncer que vêm de longe se tratar em Santa Maria.
#CasaMariaFicaA Casa Maria é uma ONG localizada no Bairro Camobi, em Santa Maria, que acolhe gratuitamente pacientes em tratamento oncológico vindos de outros municípios do Rio Grande do Sul. Aqui, quem chega encontra cama, comida, psicóloga, oficinas terapêuticas e insumos essenciais, como fraldas, suplementos, cestas básicas e dietas enterais.
Para muitas dessas pessoas, a Casa Maria não é um conforto. É a única condição que torna possível continuar o tratamento.
A Casa Maria enfrenta uma ação de despejo que ameaça o pavimento onde ficam os três quartos de hospedagem, a cozinha e a sala de convivência dos usuários e seus familiares. É exatamente a parte do imóvel onde as pessoas dormem e comem durante o tratamento.
A ação foi movida pela proprietária do imóvel - que é cônjuge de um ex-administrador da Casa Maria, afastado judicialmente por supostas irregularidades cometidas durante sua gestão de 2014 a 2020. A atual diretoria, que assumiu em 2020, contesta a validade do contrato de locação que originou o despejo.
A gestão atual não participou de nenhuma das irregularidades do passado. Assumiu a Casa Maria para reconstruí-la, e é ela quem está sendo ameaçada de perder o espaço onde os pacientes vivem durante o tratamento.
dias foi o prazo dado para desocupar.
A doença não deu prazo nenhum.
Hoje, 76 dos 94 pacientes atendidos vieram de outro município, de Alegrete, Uruguaiana, Santiago, São Gabriel, Jaguari, Cachoeira do Sul e dezenas de outras cidades. Nenhuma delas tem serviço próprio de oncologia de alta complexidade.
Se a Casa Maria perder esse espaço, não existe alternativa pública identificada para receber essas pessoas. Por isso precisamos que Santa Maria e região saibam o que está em jogo.
"Tô fazendo o tratamento pra câncer já desde setembro de 2025. Mas são 140 quilômetros de Santa Maria a Jaguari pra mim me deslocar todos os dias, fica bem difícil, porque o tratamento não é fácil. Aí então eu tô hospedada aqui na Casa Maria, aonde é que a gente tá ficando, que fica mais perto. Porque se tiver que eu ir todos os dias e voltar eu não consigo, porque a fraqueza toma conta e bastante dor eu tenho. São 27 sessões de radioterapia que eu tenho que fazer, não é pouco."
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